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Escolas municipais de São Paulo introduzem refeições sem carne na merenda

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Publicado em 26 de dezembro de 2011

Após quase dois anos de estudos e conversas, entrou em vigor em novembro, na rede pública de ensino de São Paulo, um programa que incluirá merendas escolares mais saudáveis: a cada 15 dias, os alunos terão a oportunidade de fazer refeições sem carne e sem nenhum prejuízo nutricional.

A iniciativa, defendida pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), foi adotada pelo secretário de educação Alexandre Schneider, que garante que a mudança só trará benefícios às crianças e ao meio ambiente. Por enquanto, cerca de 625 mil alunos da rede pública municipal (mais de 60% do total) serão beneficiados, mas a Secretaria de Educação prevê que já no ano que vem a merenda sem carne será introduzida no restante das escolas e admite a possibilidade de aumentar a frequência das refeições sem carne.

A ideia da merenda vegetariana surgiu em 2009, quando o vereador Roberto Tripoli (PV/SP) presidia a Comissão de Estudos Sobre Animais na Câmara Municipal. Um dos temas debatidos foi o impacto significativo do consumo de carne sobre a saúde e o meio ambiente. Em 2010, a Secretaria de Educação se dispôs a programar a opção de merenda vegetariana na rede municipal. Mais de um ano depois, a mudança passou a valer a partir do dia 18 de novembro de 2011. No primeiro dia com merenda vegetariana, os alunos provaram um “escondidinho de soja” à base de purê de batata e proteína texturizada de soja (PTS) temperada. Segundo a Secretaria de Educação as crianças aprovaram a mudança.

Para a SVB, a iniciativa traz benefícios substanciais à saúde dos alunos e ao meio ambiente. Estudos levantados pela organização indicam que o benefício ambiental em termos da mudança climática é equivalente ao de retirar mais de 30 mil veículos das ruas de São Paulo. Do ponto de vista da saúde, a redução do consumo de carne é positiva. Segundo o médico nutrólogo Dr Eric Slywitch, coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da SVB, a utilização de mais alimentos de origem vegetal no lugar dos de origem animal está de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde e pode auxiliar o combate à obesidade e a diversas doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Segundo o médico, a troca é segura em termos nutricionais, pois o cardápio foi planejado para substituir os nutrientes da carne com seus equivalentes vegetais.

O programa implementado nas escolas corrobora a campanha “Segunda Sem Carne”. Lançada no Brasil em 2009 pela SVB em parceria com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, a campanha convida as pessoas a tirar a carne do prato um dia por semana e, assim, descobrir novos sabores. Como sugere o slogan “Pelas pessoas, pelos animais, pelo planeta”, o objetivo da campanha é beneficiar a saúde com alimentos nutritivos e mais saudáveis, evitar o sofrimento de animais ao reduzir o número dos que são criados e abatidos e atenuar o enorme impacto ambiental da criação de animais para consumo.

A adesão da Secretaria de Educação a este programa de redução do consumo de carne acontece no momento em que a campanha Segunda Sem Carne está em franca expansão, tendo sido lançada em cinco novas cidades em 2011: Recife (PE), Niterói (RJ), Curitiba (PR), Osasco (SP) e Piracicaba (SP). Em São Paulo, a Segunda Sem Carne tem até um Guia de Restaurantes, que pode ser baixado gratuitamente em www.segundasemcarne.com.br ou encontrado em restaurantes e pontos turísticos paulistanos. A cidade de Niterói esta prestes a implantar um projeto de merenda vegetariana, seguindo o exemplo de São Paulo. Osasco também estuda o assunto e deverá ter um programa semelhante.

Release produzido pela SVB em novembro de 2011
Mais informações com Mônica Buava, Coordenadora Nacional da Campanha Segunda Sem Carne: ssc@svb.org.br