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NOTA SOBRE ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA NA INFÂNCIA

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Publicado em 29 de julho de 2015

Enquanto a obesidade infantil cresce no Brasil de forma alarmante, acometendo cerca de 33% das crianças de 5 a 9 anos (dados do Ministério da Saúde deste ano), parece ter passado em branco o papel que a alimentação vegetariana pode propiciar na reversão deste quadro. Embora ainda seja um assunto considerado “polêmico”, a literatura científica já dissipou há muito tempo os mitos relacionados à uma alimentação sem carne.

De fato, a alimentação vegetariana é recomendada, inclusive na infância, por órgãos internacionais como: American Dietetic Association (ADA), American Heart Association (AHA), Food and Drug Administration (FDA), College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia), Kids Health (Nemours Foundation).

Um dos motivos para esta recomendação é que crianças vegetarianas consomem mais verduras, frutas e legumes, e os estudos mostram que esse hábito alimentar promove uma alimentação mais saudável na adolescência e vida adulta, o que está relacionado à prevenção de doenças intrinsicamente ligadas ao consumo alimentar como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras.

No Brasil, o Conselho Regional de Nutricionistas da Terceira Região (CRN-3) emitiu em 2012 um parecer sobre dietas vegetarianas, o qual considera que:

“- Qualquer dieta mal planejada, vegetariana ou onívora, pode ser prejudicial à saúde, levando a deficiências nutricionais.

– As dietas vegetarianas, quando atendem às necessidades nutricionais individuais, podem promover o crescimento, desenvolvimento e manutenção adequados e podem ser adotadas em qualquer ciclo de vida”.

É importante considerar ainda que:

– A ingestão média de proteínas das crianças vegetarianas e veganas costuma obedecer ou exceder às recomendações para a faixa etária.

– Não há maior prevalência de anemia ferropriva na dieta vegetariana.

– Crianças e adolescentes vegetarianos apresentam menor ingestão de colesterol, gordura saturada e ingestão maior de frutas, verduras e fibras que os não vegetarianos (Dunhan e Kollar, 2006, Perry e cols 2002, Sanders e Manning 1992, Fulton e Hutton 1980). Desta forma, a ingestão média de vitamina C, ácido fólico e minerais como magnésio é maior em vegetarianos do que onívoros.

– O nutriente que merece cuidado na dieta vegetariana é a vitamina B12 que é encontrada somente em alimentos de origem animal e deve ser suplementada na dieta vegetariana estrita. Uma dieta ovolactovegetariana pode atingir as necessidades diárias. Entretanto, os bons níveis sanguíneos desta vitamina dependem da ingestão de alimentos fontes mas principalmente de uma boa absorção, o que nem sempre acontece devido ao uso de medicamentos, inadequada acidez estomacal, entre outros fatores. Isto faz com que não vegetarianos também possam ter níveis baixos de vitamina B12, independente de sua ingestão.

Por fim, refeições vegetarianas equilibradas nutricionalmente, oferecidas em equipamentos públicos como escolas, vem a ampliar possibilidades e reconhecer novos sabores, o que contribui para a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis no meio escolar, a exemplo da campanha Segunda Sem Carne, em São Paulo, que desde 2011 oferece quinzenalmente refeições veganas à cerca de 1 milhão de alunos da rede pública de ensino, beneficiando à saúde das crianças e o meio ambiente.

Escrito por:  THAISA NAVOLAR NUTRICIONISTA CRN-10 3257, TRABALHA NA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE COMO COORDENADORA DA COMISSÃO DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPEMENTARES DE FLORIANÓPOLIS, ATENDE EM CONSULTÓRIO PARTICULAR E FAZ PARTE DA SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA

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